terça-feira, 12 de abril de 2016

O mar

O mar é triste como um cemitério,
Cada rocha é uma eterna sepultura
Banhada pela imácula brancura
De ondas chorando num albor etéreo.


Ah! Dessa no bramir funéreo
Jamais vibrou a sinfonia pura
Do amor; só descarta, dentre a escura
Treva do oceano, a voz do meu saltério!


Quando a cândida espuma dessas vagas,
Banhando a fria solidão das fragas,
Onde a quebrar-se tão fugaz se esfuma.


Reflete a luz do sol que já não arde,
Treme na treva a púrpura da tarde,
Chora a saudade envolta nesta espuma!

AUGUSTO DOS ANJOS

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