terça-feira, 10 de maio de 2016

A VELHA OLARIA

Recordei o juazeiro
Sombra da velha olaria
Gigante, verde e faceiro
Enquanto o dono existia
Depois que o dono morreu
Ele também resolveu
Se entregar ao machado
Hoje nenhum mais existe
Vou recordar mas é triste
Se recordar o passado

O tempo ingrato passou
A mão naquela olaria
Por lembrança não ficou
Nada do que nela havia
Aterrou todo o barreiro
Sem forno e sem juazeiro
Ficou o chão diferente
Até mesmo o passarinho
Perdeu o lugar do ninho
Canta mas não é contente

Das telhas restam os cacos
Porque não se derreteram
Do juazeiro os cavacos
Todos desapareceram
Se existe alguma raiz
Talvez se sinta infeliz
Porque perdeu sua fronde
A lenha o fogo queimou
As folhas o vento levou
Pra guardar quem sabe aonde
Senti profunda emoção
Naquele ermo esquisito
Sem pai, sem mãe, sem jargão
Sentindo a falta do mito
Se dividiu a família
Três hoje moram em Brasília
E três em Itapetim
Quatro na eternidade
Resta somente a saudade
Morando dentro de mim

Voltei pra ver se do forno
Alguma coisa restava
Pelo menos o chão morno
Da lenha que pai queimava
Não vi cinzas nem carvão
Senti profunda emoção
Saí sem olhar pra trás
Notei que tudo tem fim
Jurei por Deus e por mim
Não ir ali nunca mais
Poeta e meu avô: Antônio José de Lira

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